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Je suis un Homme...

Comme ils disent! Onde tudo tem o seu espaço.

Je suis un Homme...

Comme ils disent! Onde tudo tem o seu espaço.

Vazio

De alma e coração!

Sentei-me, na noite fria e silenciosa, no beiral da janela, fumando mais um dos muitos cigarros diários. O céu limpo permite-me ver as estrelas que brilham no firmamento. Escorpião exibe-se sobre os telhados, trazendo-me à memória momentos que partilhei: momentos que era vividos intensamente, cheio de amor.

 

Tento perceber, enquanto o cigarro vai queimando, os porquês que nestes dias me assolam o pensamento. Deito-me tarde, levanto-me tarde, passo o dia deambulando pela casa tentando evitar pensar. E depois deixo-me estar, perdido entre programas de televisão e séries até começar a adormecer, evitando o silêncio e o vazio do meu quarto.

 

Vazio, dois espaços vazios: eu e o meu quarto. Tento encontrar a paz que tanta falta me faz, tentando seguir a vida. Sinto medo, sinto-me perdido e não me consigo compreender. Sufoco-me diariamente em porquês sem nunca encontrar uma razão válida. Nem uma.

 

Escondo-me em palavras, sem nexo, vazias de emoções e mensagens. Simples palavras.

 

Estou deitado na cama, escrevendo este pedaço de texto com a maior sinceridade possível, para mim. O meu gato aninhou-se a meu lado como se compreendesse a falta que sinto.

 

Choro, uma vez mais, entre a música que tenho obrigatoriamente que colocar para evitar o silêncio, aquele silêncio que eu tanto já amei. Mas agora é incomodativo porque ainda há uma parte de mim que chora e a outra se mantém na escuridão.

 

Sou capaz de amar, mas por vezes incapaz de me sentir amado. Perco-me nessa evasão de uma parte da minha vida. Como expor em palavras tudo aquilo que sinto dentro de mim? Como conseguir explicar? Onde estaria eu?

 

Quando digo ou escrevo que me sinto só, a compreensão dos outros não é capaz de perceber que não se trata de uma solidão de pessoas, de não ter com quem possa falar. Não, não se trata de nada disso. É somente o vazio, a cama vazia, o beijo doce, o abraço caloroso. E no meio deste âmago todo só me resta concluir a minha imperfeição, a minha falta de interesse.

 

Começo a sentir-me velho. Talvez esteja a entrar num processo depressivo dos trinta anos, mas a verdade é que, olhando para trás, sinto que foram anos perdidos, em que todos os meus projetos fracassaram, em que nada do que fiz foi proveitoso ou de valor. Somente futilidades.

 

Palavras bonitas não vão amaciar o meu ego magoado, porque cada vez que me olho ao espelho, vejo nos meus olhos a deceção, a mágoa, o fracasso, as incapacidades. Cada vez que me olho ao espelho vejo a minha alma partida. Na verdade os olhos não mentem.

 

Poderia dizer que estou no fundo. Mas esse fundo já aconteceu e agora este é um processo de cura, de renascer. Mas até no renascer é preciso sofrer.

 

Gostava de me sentir amado. Não aquele amor que sinto dos meus amigos, da minha mãe ou irmãos. Não! Gostava de sentir o amor, de alguém que sentisse a minha falta, que me mandasse mensagem mesmo quando eu estou mais silencioso, que lutasse por mim como eu outrora tanto lutei.

 

Acho que esgotei esse amor, na medida em que o dei. Há feridas que não são para cicatrizar, coisas que não voltamos atrás. Tanta coisa que se torna difícil de descrever. E a única palavra que consigo encontrar é: vazio.

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