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Je suis un Homme...

Comme ils disent! Onde tudo tem o seu espaço.

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Reciprocidade

Dar, sendo obrigado a receber?

Depois de ter escrito sobre um assunto tão delicado como o que escrevi no post anterior, fui desafiado por um amigo a escrever sobre a reciprocidade. É claro que eu aceitei, porque escrever sobre certos temas é sempre um desafio e eu adoro desafios.

 

Contudo, desde esse dia, tenho estado a pensar na forma como poderia abordar esse tema, uma vez que pode ser um tema controverso e não se encaixar naquilo que são os parâmetros de algumas pessoas. Por vezes há quem encare a reciprocidade como uma obrigação ou como um ato invejoso da parte de alguém. Há muito quem pense que o ato de dar implica um obrigação de retribuição. Mas, para mim, a reciprocidade está ligado a algo mais profundo.

 

No meu entender, o entender de alguém como tantos outros, este aspeto está obrigatoriamente interligado com aquilo a que chamamos amor. O próprio ato de amar está já implícito a retribuição. Nós retribuímos muitas vezes sem nos darmos conta do que estamos a fazer porque é algo que é inato em nós: se alguém que amamos nos dá algo, a nossa vontade é de retribuir, não como obrigação mas como demonstrar também o nosso amor. E por aqui fácil seria dizermos que nos sentimos na obrigação de demonstrar também o nosso amor, mas isso não passaria por comprar o amor? Não, o que eu quero dizer é que a reciprocidade está implícita, é algo natural. Não se dá para querer algo mas ao mesmo tempo estamos também a dar, ou seja, estamos a libertar alguém daquilo que seria uma obrigação.

darreceber.jpg

 

Mas a reciprocidade não cabe somente nos bens materiais. Como eu referia anteriormente, a reciprocidade é algo que implica amor e este pode ser o amor de irmão, o amor de amigo, o amor romanceado. Somente quem consegue amar, consegue ser recíproco de forma pura.

 

Poderia afirmar que ao escrever este texto me deparo com a dificuldade que é escrever sobre este tema. Como demonstrar por palavras algo que sentimos mas que não sabemos bem explicar? Como explicar algo que nos leva nos dois sentidos, explicar que não é obrigatório, quando tudo nos mostra essa obrigatoriedade?

 

Na verdade não se consegue explicar, ou melhor, eu não consigo explicar de que se trata a reciprocidade, porque para mim, é algo tão simples, algo tão particular e tão inerte que as palavras não chegam e chegam a ser uma enorme baralhada, uma ideia muito pouco clara.

 

Aprendi a dar, a dar-me sem esperar nada em troca. Mas também me conheço e sei que se o meu coração se sente amado, acarinhado por alguém, que a melhor forma de eu demonstrar é dando algo de mim. A reciprocidade pode ser chamada também de um caminho, de uma forma de orientação. Dou-me na medida em que essa liberdade também me é dada. Mas não é por essa liberdade me ser dada é que eu dou. Bem, realmente escrever sobre este tema está para além das minhas capacidades. Por vezes temos só que ir mais além e mergulhar nesta reciprocidade de olhos limpos e ideias claras.

 

Aproveito que me pediram para falar neste tema, para lançar o desafio aos meus leitores: digam temas que gostariam de ver falados/discutidos. Temas para reflexão ou explicação.

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